quinta-feira, 9 de junho de 2011

A Invasão Vermelha. Pelos Bombeiros contra o Führer Sergio Cabral

Que nosso ilustríssimo desgovernador não é muito favorável aos movimentos sociais e que os reprime com força e sem piedade, todos nos já sabíamos. Mas daí a meter bronca pra cima de bombeiros é ultrapassar o limite do absurdo, caindo na esfera do devaneio, muito comum ao Führer alemão do século passado.

Além de ser uma afronta ao direito de luta por dignidade, me parece ser um erro político sem tamanho. Atacar a instituição mais respeitada em qualquer país do mundo pode lhe causar prejuízo incalculável. Sua acessoria deu sinais de uma ingenuidade ímpar, principalmente após ao seu pronunciamento. Ficou claro que não foram esgotadas as possibilidades de negociação. Se o tão citado avanço salarial é realmente verídico, porque ele mesmo não foi ao quartel e disse isso? E o que dizer do fato de o comandante dos bombeiros não estar presente em nenhum momento, pois encontrava-se fora do país? Acabou traído por Cabral, a quem tinha defendido, posicionando-se contrário às reivindicações e anseios da tropa: foi exonerado por telefone.

A defesa de Cabral para sua ação de invasão ao quartel dos bombeiros foi baseada no caquético código militar que classifica greve ou qualquer movimento reivindicatório como motim, insubordinação e quebra da hierarquia. Cabe ressaltar que o Brasil é um dos poucos países do mundo no qual os bombeiros não possuem direito a greve devido a estarem ligados ao comando militar.

Ele também argumentou que o salário dos bombeiros do Rio de Janeiro não seria o menor do país. Mentira! O salário bruto de um bombeiro do Rio (lista completa) é de R$ 1.031,38, ficando atrás do valor pago aos profissionais do Pará com R$ 1.215,00 e do Rio Grande do Sul com R$ 1.172.00; e a anos-luz das remunerações do Distrito Federal, com R$ 4.129.73 e Sergipe com R$ 3.012.00 - que o classifica sim, como o pior do país!

E ainda, com o intuito de jogar a sociedade contra a luta dos bombeiros, ele expôs o prejuízo material causado pelos manifestantes na tomada do quartel central. Prejuízo muito maior e contra o qual pouco se faz e pouco se prende são os desvios de verbas da saúde, da educação, e outras. Nos últimos anos, creio que caiba nos dedos de apenas uma mão, o número de presos por tais crimes. Em paralelo a isso, também penso que esvaziar pneus de viaturas e impedí-las de sair do quartel não foi uma atitude correta; contudo, não justifica o revide desproporcional no qual até fuzil foi usado, contrariando o comandante da PM que, poucas horas depois da invasão, afirmou que os tiros foram apenas de pistolas. Sua fala mudou à tarde, após imagens da invasão terem ido ao ar na Globo News mostrando o uso de armas letais, mesmo sabendo da presença de crianças e mulheres civis no quartel.

Na análise do Führer e sua equipe existe cunho político-partidário nessa manifestação chegando a vincular governos anteriores como lideranças. No entanto, até mesmo comentaristas da Globo classificaram o movimento como espontâneo e de base, em resposta à falta de comprometimento do comandante anterior às reivindicações da tropa. É óbvio que, posteriormente, políticos em nada comprometidos com a causa usufruíram da projeção midiática; mas a gênese do movimento foi a vontade e a coragem de enfrentar a hierarquia por condições dignas de trabalho.

É importante ressaltar que ninguém está se manifestando para ter carro de 60 mil; estão apenas querendo ganhar por ano menos que um deputado ganha em dois meses, o que os colocaria como décimo melhor salário do país!

Como a invasão por si só não conseguiu alimentar o ego do desgovernador, a PM promoveu a prisão de mais de quatro centenas de bombeiros, possivelmente um número bem maior do que o total de presos por corrupção em muitos anos. Considerando o código militar e possível denúncia pelo Ministério Público, os bombeiros podem pegar até 12 anos de prisão. No entanto, existe um movimento organizando na defesa dos presos lutando pela soltura deles apesar de o desgovernador ter dito que não negociaria com "vândalos", como classificou os grevistas. Em casos semelhantes o poder público acabou voltando atrás e acabou por 'absolver' os manifestantes.

Sendo assim, os esforços concentram-se na libertação dos bombeiros e na negativa de qualquer acerto salarial sem que esta reivindicação seja atendida. Uma aliança, aparentemente suprapartidária está em construção na ALERJ, atual foco de resistência, a fim de paralisar a pauta de discussões até que o governo se proponha a conversar sobre a situação. O mais provável é que o recém chegado comandante assuma a rebordosa de ficar cara a cara com os invencíveis leões.

Não creio que, apesar de uma boa oportunidade, haja um movimento de enfrentamento por parte da população, como por exemplo, uma greve geral (mais comum na Europa, especialmente na França), pois a pressão da máquina capitalista impõe alguns limites às mais diversas categorias. Mas, desta vez, algo que sempre nos falta (falando como brasileiro), que é a conscientização e a falta de posicionamento, foi, momentaneamente, remediado; poucas horas depois dos fatos relatados, o facebook estava inundado de posts em defesa dos bombeiros. Quando da passagem dos ônibus com os bombeiros, a população ovacionava-os. Na segunda feira seguinte, em vários carros e ônibus tremulavam fitas vermelhas, e não havia ninguém com quem se conversasse que não tinha opinião sobre o assunto. Isso mostra o quão limítrofe está o desgoverno do Führer e seu potencial de gerar desagravo junto à população. É somente através dessa manifestação de repudio é que poderemos conquistar, não o respeito, mas o temor por parte das elites, pois a conscientização e a mobilização dão mais calafrios nas castas governantes do que qualquer outra coisa.

Führer Cabral, todos somos bombeiros, e um passo atrás jamais daremos. 




5 comentários:

  1. Todos juntos e misturados em prol dos bombeiros e todos profissionais mal remunurados ! att Cris

    graças !!!!!! Bombeiros vão ser liberados !

    Cabral si!.......

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  2. A luta agora é pela anistia dos presos. A libertação não implica na retirada das acusações, 'apenas'que as prisões não obedeceram os procedimentos normais e acabaram por ser tornarem ilegais.

    Todos a frente do Copacabana Palace neste Domingo às 09:00.

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  3. Eu fiquei realmente imaginando o que se passa na cabeça do Cabral... O todo poderoso como se não bastasse, se achou cheio da razão, e ofendeu os bombeiros, que só estão lutando pelos seus direitos, chamando-os de "vândalos" e mais um monte de absurdos que partiu das palavras dele.
    Ele nem tentou fazer um acordo com eles, que isso...
    Daqui a pouco ele vai obrigar todo mundo a trata-lo como "Duce de lo Rio de Janeiro" e todo mundo vai ter que saudar-lo... "Saluto il Duce Cabral!"
    Preocupante essa atitude do Cabral.

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  4. Pra aumentar o salário dos deputados tem dinheiro.
    Mas pra aumentar o salário de gente honesta que trabalha com dignidade, só tem cacetada.

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  5. Se precisávamos de alguma prova da força popular; do potencial da mobilização sobre as classes governantes e da utilidade das redes sociais como 'catalizadora' da organização do povo, ela nos foi mostrada neste episódio da prisão do bombeiros.

    Cabral se viu bombardeado de críticas por todos os lados. Do discurso raivoso de Sábado às moderadas falas ao longo da semana, teve de rever sua posição lançando mão de diversos artifícios para tentar salvar o pouco que lhe restava de apoio político. Adiantou reajustes, separou a Defesa Civil da Secretária Estadual de Saúde e afirmou que a decisão sobre as prisões cabia a Justiça. Enfim mostrou-se bem diferente daquele Cabral que chamou os bombeiros de vândalos.

    Ao final da semana, diante da mobilização em torno da passeata de Domingo (12), a Justiça que já havia negado 'habeas corpus' aos presos, os libertaram considerando irregularidades no procedimento de prisão. Argumentar que a decisão baseou-se apenas em aspectos técnicas é ser pueril em demasia. De certa forma, até o Cabral foi beneficiado por esta decisão, pois se a libertação não ocorresse antes de Domingo, com certeza seriam muitos mais os descontentes com seu governo que alimentariam a corrente dos 27 mil que compareceram à Copacabana.

    Agora cabe ao movimento manter a pegada, pois a luta pela melhoria salarial ainda é emergencial, uma vez que os 5,5% oferecidos representam apenas R$ 60,00 no magro contracheque. A pauta também abrangerá a anistia aos presos tornando assim sem efeito a denúncia feita pelo Ministério Púbico contra os mesmo no meio da semana.

    Sobre algumas críticas

    Tendo colocado meu texto em algumas comunidades no Orkut recebi algumas críticas em relação a comparação feita entre Führer e Cabral.

    Acho interessante que ao invés do foco da discussão serem as ações do desgovernador, ele fique sobre essa comparação que no entender de algumas pessoas (corretamente aliás) foi equivocado.

    Ressalto que tal comparação não teve por objetivo um paralelismo histórico fidedigno. A relação com o Führer foi para fácil compreensão de quem pode não ter um conhecimento abrangente da história política mundial e não consiga, facilmente, vislumbrar a imagem de Mussolinni ou Franco como sugeriram. O uso do ditador alemão, por ser uma figura presente no inconsciente coletivo da população através de filmes, principalmente, facilita o entendimento dos leitores a identificarem nas práticas do desgovernador intenções ditatoriais. A mesma figura do ditador foi usada em cartazes pelo PSTU e em vídeos na internet, creio eu, com a mesma intenção.

    http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQkcCR2snws8Xpzd7e5DBh3QI2eGoIFdiOxrBBXNFiCqqfmmueSWw

    http://www.youtube.com/watch?v=mQZ1pQeQBfk

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