sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Guerra, As Olimpíadas e As "Soluções".






















A Guerra, As Olimpíadas e As "Soluções".

Fico imaginando qual seria seria o tamanho da repercussão e estrago que a tsunami de violência do final de semana passado se acontecessem antes da eleição para cidade sede das Olimpíadas.
Fico imaginando a cara dos representantes municipal, estadual e federal tentando explicar o inexplicável lá na Dinamarca.
Fico imaginando o que se passa nas cabeças dos homens e mulheres que decidiram por conceder ao Rio de Janeiro a oportunidade de sediar o maior e mais importante evento do mundo, - 'será que fizemos a coisa certa ?".
É óbvio que somente devido ao resultado daquela votação de duas semanas atrás é que o assunto tomou o vulto na imprensa internacional (principalmente espanhola e estadunidenses). Do contrário 'apenas' a derrubada do helicóptero seria vista com maior surpresa .
Porém são óbvios e necessários os questionamentos quanto a capacidade de serem resolvidas as questões relativas a segurança.
O projeto do Rio prevê como projeto para a área: " a completa integração dos três níveis de governo na área de segurança... (apresentando) o conceito de ‘polícia de proximidade’, que antes da repressão, traz intervenção social e interação com os jovens". Também ressalta as operações de segurança dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 e que o Rio de Janeiro tem experiência em grandes eventos e os Jogos Pan-americanos provaram isso mais uma vez.
Muito bem. Até sabemos que quando se trata de eventos de porte: Carnaval, Reveillon, Pan e etc, o sistema de segurança até funciona adequadamente. Roubos e furtos acontecem, mas de modo geral é satisfatório. Porém não é suficiente. Não adianta passar as Olimpíadas em branca nuvem e voltarmos a enfrentar grandes tormentas depois. O plano proposta não é claro (pelo menos não no site do projeto) sobre o legado voltado a segurança.
No Pan o Rio ficou com os carros usados durante o evento. Legal ... e daí. Equipamento por si só não trazem (e não trouxeram) muito resultado.
Trazendo novamente para o que está ocorrendo atualmente, já se fala em equipar a PM com armas, helicópteros e blá, blá, blá...
Nenhum projeto sério para a área de segurança pode se basear pura e simplesmente em colocar mais munição na mão da polícia.
Onde está a parte estratégica, policiamento das divisas para não deixar entrar armas e drogas, combate a corrupção interna, eficaz e ético trabalho do judiciário?
Onde está a real transformação social que pode fazer cair os níveis de criminalidade cotidianos?
Somente a coerção não traz resultados satisfatórios a longo prazo. Podemos ganhar com uma diminuição a curto prazo, porém esta não é sustentável.
Diversos países, Estados Unidos é exemplo, com a implantação de políticas de 'tolerância zero', conseguem resultados ótimos em curto período de tempo, mas que não se perpetuam, não se solidificam.
As ações repressoras (dentro de lei e no local correto) e social tem de acontecer simultaneamente. E após implementadas as transformações necessárias, a anterior repressão possa ser transformada em ação contingencial, de manutenção.
E mais, não adianta prender criminoso 'pé de chinelo' no alto do morro enquanto deixamos vários outros engravatados (e playboizinhos) em Brasília e nas Zonas Sul do país livres. Pois estes sim são os verdadores geradores da violência, são eles que promovem a desigualdade e a espoliação do povo pobre.
A articulação do crime organizado e sua desarticulação, passam por todas as esferas: legislativas, judiciária e executiva e por isso não podemos chamar de estado paralelo. Lembre-se paralelo são duas retas que não se encontram, o que não é o nosso caso. A todo momento esses 'dois' poderes se cruzam e é somente desarticulando esses 'encontros' e que podemos ter segurança não apenas durante grandes eventos mas sim em nosso cotidiano.
Allan Mahet

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