sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os 10 Piores Sambas Enredo de Todos os Tempos

Se podemos contar com obras primas de sambas enredo como os citados em 'Os 50 maiores sambas-enredo de todos os tempos', também lamentamos verdadeiras bombas em forma de música. Aqui eu selecionei 10 letras que deveriam ser esquecidas no fundo mais obscuro da memória carnavalesca.

1º. Caprichosos 1988
2º. Mocidade 1988
3º. Império da Tijuca 1984
4º. Mangueira 1989
5º. Beija Flor 1975
6º. Unidos da Tijuca 1986
7º.Tradição 2003
8º. Império Serrano 1999
9º. Portela 2000
10º.Imperatriz Leopoldinense 1999



1º. Caprichosos 1988

Parece que foi escrito por várias pessoas que não se conheciam, pois nada combina. A melodia é ruim, a letra é fraca e nada rima.  As piores partes são: "Descobrindo este universo / Tintim por tintim"  e "Com sutileza / O desenho animado surgiu / Tem comédia, tem piada / Musical com batucada".

Luz, Câmera, Ação

Amor, ai amor
O vento levou
Por toda parte
As maravilhas
Da sétima arte
Lá vou eu, lá vou eu
Curtindo os bastidores
Descobrindo este universo
Tintim por tintim
Ô iaiá, seu vagalume, por favor
Quero um cantinho
Escondidinho pra ficar com meu amor
Filme proibido pra menor, xi!
Só pornografia
O cangaço
Abriu espaço pro cinema do Brasil
Oh quanta saudade
Do romantismo na tela
Com sutileza
O desenho animado surgiu
Tem comédia, tem piada
Musical com batucada
E no velho Oeste eu vi
O Nordeste em ação
Ai, coração
Vejam só
Toda a filmagem reunida
Câmeras na festa colorida
Ação, luz e cor, ô ô ô







2º. Mocidade 1988

As únicas partes que prestam nessa letra são os 4 primeiros versos. O restante é ruim de doer. Tirando o fato de cantar um progresso que só a Mocidade enxergou, o samba por si só é muito pobre. A segunda parte é nada mais nada menos do que algumas referências, uma após a outra sem encadeamento melódico. Péssimo de ouvir. Imagina o sofrimento de escutá-lo por mais de uma hora seguida?! 

Beijim, Beijim, Bye Bye Brasil

E canta Mocidade
A constituinte Independente
Dividiu a nação naufragada
Em sete "brasiléias" encantadas
O progresso despontou
E o cruzeiro se valorizou


E hoje nem saudades

Daquele Brasil devedor (que ficou)

Tchau cruzado, inflação
Violência, marajás, corrupção
Adeus à dengue, hiena, leão


A era nuclear
Usina, rio, mar
Itapuã, Iracema
Iguarias de Itamaracá
E bate-bate de maracujá
Paulo Afonso, Juazeiro
Padre Cícero, Petrolina que reluz
Pedras preciosas, mulatas, gol "gay"
Vinho enlatado e o gado revoltado
O chimarrão, como exportei
O ouro de serra pelada
O PI como gritava, rock outra vez
Divinamente, o salvador surgiu
Dando um toque diferente:
Alô, bye, bye Brasil

Bye Bye Brasil
Beijim, Beijim









3. Império da Tijuca 1984

Colocar número no meio do samba é uma encrenca. Quase sempre não rima com nada e fica melodicamente estranho. Como se não bastasse, o samba da Império da Tijuca vai piorando a cada verso com destaque para: "É proibido jogar, jogar / Jogos de azar / Dada a ordem nua e crua / Quantos desempregados no olho da rua".  

9215

Em nome da moral e bons costumes
Esta lei surgiu
Nove mil duzentos e quinze
Fechando os cassinos no Brasil
É proibido jogar, jogar
Jogos de azar
Dada a ordem nua e crua
Quantos desempregados no olho da rua
Mas a jogatina continua

Corrida de cavalo
Pode apostar
Loto e loterias
Existem em todo lugar
O palpite é borboleta
No bicho eu vou jogar

Hoje a minha escola tão querida
Reabre os cassinos na avenida
Um mundo de requinte e alegria
Mostrando todos os jogos
Nesta noite de euforia
O maior show da terra é o Carnaval
Num jogo de fantasias

A roleta da vida
Não pára de girar (bis)
No jogo do amor
Não me canso de apostar







4º. Mangueira 1989

Após grandes desfiles na década de 80 com três títulos, grandes sambas em 1984, 1985, 1986 e 1988, a Estação Primeira escolhe um enredo controverso em homenagem a Chico Recarey, Walter Pinto e Carlos Machado, os tendo como reis da noite do Rio. Sem apoio popular e da crítica, mas com certa mídia, a verde e rosa já chegou derrotada na avenida e a única coisa que a salvou foi a empolgação de seus componentes. Até vaiada foi e amargou um 11º lugar, sua segunda pior colocação na história (a pior é um 12º lugar em 1991 com "As Três Rendeiras do Universo"). O samba é terrível com especial atenção para o refrão: "Vai na roleta ou no bacará, vamos jogar ioiô, vamos jogar iaiá" e para a paradinha "Re-Ca-Rey".

Trinta de Reis

Lá do alto Mangueira anuncia
Trinca de reis 

Que ao Rio trouxe alegria
Valter Pinto, seu teatro de revista
Revolucionou e revelou grandes artistas
Lindas peças com cenografia sem igual
Carlos Machado fez teatro musical


Vai na roleta ou no bacará, vamos jogar ioiô, vamos jogar iaiá
Vai na roleta ou no bacará, vamos jogar ioiô, vamos jogar iaiá


Que saudade ô, do cassino da Urca
Da orquestra " Rio Night and Day "
Grandes noites eu passei
Mas hoje tem o Chico Recarey, Re..ca..rey
Que o Rio apresenta das noites o mais novo rei


Vou no Scala, vou no show do Asa Branca
Nesse Rio que eu amo, a noite é uma criança.






5º. Beija Flor 1975

Se a Portela aliviou a imagem de Getúlio, a Beija Flor conseguiu fazer pior. Em 1969, em pleno AI 5, a Império Serrano levou para a avenida um samba que foi até alvo de censura por parte do governo ("Heróis da Liberdade"). Em 1972 a Vila Isabel levou o belíssimo "Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade" no qual cantava: "Aprendeu-se a liberdade (...) / Facas, fuzis e canhões / Brasileiros irmanados / Sem senhores, sem senzala"). Sambas que contestavam a Ditadura Civil-Militar que vivíamos no país. Mas a nilopolitana fez o oposto, enaltecendo o regime milico, numa ode ao apregoado desenvolvimento e renegando completamente qualquer traço da repressão existente. Um ano antes o escola já havia mostrado sua faceta peculiar ao cantar: "Quem viver verá / Nossa terra diferente / A ordem do progresso / Empurra o Brasil pra frente" ("Brasil Ano 2000"). Não é preciso grande análise para saber que a agremiação não contou muito com a simpatia no mundo do Carnaval. PIS, PASEP e FUNRURAL não dá samba.  


Grande decênio

É de novo carnaval
Para o samba este é o maior prêmio
E o Beija-Flor vem exaltar
Com galhardia o grande decênio
Do nosso Brasil que segue avante
Pelo Céu, mar e terra


Nas asas do progresso constante
Onde tanta riqueza se encerra


Lembrando PIS e PASEP
E também o FUNRURAL
Que ampara o homem do campo
Com segurança total


O comércio e a indústria
Fortalecem nosso capital
Que no setor da economia
Alcançou projeção mundial


(E lembraremos)


Lembraremos também
O MOBRAL, sua função
Que para tantos brasileiros
Abriu as portas da educação


(É de novo...)






6. Unidos da Tijuca 1986

Samba machista e preconceituoso. O enredo poderia ter rendido algo bem humorado, mas acabou ficando apenas no mau gosto.

Cama, Mesa e Banho de Gato

O homem orgulhoso como quê
Não se sente feliz com a sua matriz (não, não, não)
Montou uma filial
Mostra os pecados capitais no carnaval (eu falei no carnaval)
A hora é essa e vamos admitir (admitir)
Uma só mulher é pouco
Deixa o homem no sufoco
Com tantas que andam por aí
O arroz com feijão
Lá de casa é bom
Mas o cozido da vizinha é melhor (é melhor)
Dizem que eu sou machista
Com pinta de egoísta
Polígamo conquistador
Mas isso vem do tempo do vovô
Lá vai o trouxa
Crente que está numa boa
Mas não sabe que a patroa
Está com o Ricardão
E sua filha tem fama de sapatão

Tem piranha no almoço
Tem virado no jantar
Pra quem tem fome
Qualquer prato é caviar

Vida, palco desses acontecimentos
Desfilando pelo tempo
Hoje eu quero me banhar
No prazer mais prolongado
Que o banho de gato dá

(Vem meu povo cantar)

Gingam cabrochas e ritmistas
Passistas e vigaristas
Artistas de revista e TV
Que não se importam
Com o que vocês vão dizer

Bota o prato na mesa
Tudo que vier eu traço
Prepare a cama
Que hoje tem banho da gato








7º. Tradição 2003

No embalo do Brasil Penta Campeão em 2002 a Tradição resolveu homenagear Ronaldo Fenômeno. Apesar do seu bom futebol é de convir que para ser enredo é necessário algo além disso. O que se viu na avenida foi um desfile fraco com um samba piegas. "Quando Deus criou a Terra, nos deu a luz do Sol / Também fez nosso Brasil, o país do futebol (...) A alegria da nação, ai que paixão / E no solo mexicano, depois no americano / Foi aquela emoção, pro meu povão".

O Brasil É Penta, R É 9 - O Fenômeno Iluminado

É fantástico, ser brasileiro,
Com muito orgulho, muita paz e muito amor, ô ô ô
E o globo vai girando, a gente fazendo história
E vitórias conquistando
Quando Deus criou a Terra, nos deu a luz do Sol
Também fez nosso Brasil, o país do futebol
Começou lá na Suécia, a segunda vez no Chile
A alegria da nação, ai que paixão
E no solo mexicano, depois no americano
Foi aquela emoção, pro meu povão
Se formou uma família, uma grande seleção
Foi aquele show de bola, na Coréia e no Japão

Ai ai ai, oh! Vida me leva
Ai ai ai, deixa a vida me levar (bis)
Ai ai ai, eu tô nessa festa
Eu quero mais é festejar

O Ronaldo iluminado, dono da camisa 9
Nasceu em Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro
Um menino inspirado, pelo mundo consagrado
O fenômeno brasileiro...
Da bola que era um brinquedo
Dadado fez seu reinado
Destino não tem segredo
Já veio nele traçado
Um guerreiro abençoado, nos campos que jogou
Ninguém pode duvidar, ele tem cheiro de gol

É bola na rede
A nossa Tradição (bis)
É bola na rede
É penta campeão







8º. Império Serrano 1999

Outro samba com número na letra. Depois do bom samba de 1996 com "E verás que um filho teu não foge à luta", que lhe rendeu a melhor posição no grupo especial desde então (6º lugar), a verde e branco de Madureira emplacou grandes bombas. Em 1997 com "O mundo dos sonhos de Beto Carrero" e em 1999 com "Uma Rua Chamada Brasil" que a levaram, em ambos os casos ao grupo de acesso. Os dois são péssimos, mas fiquei com pena da Império e como esse samba puxa um saco danado dos EUA acabei por selecioná-lo. 

Uma Rua Chamada Brasil

Em busca de um novo Eldorado viajei
Pro melhor lugar do mundo
Fui tentar a minha sorte na 46,
E ao chegar
Encontrei aventureiros
Gente deste mundo inteiro
Na terra do Tio Sam
Vi o jeito brasileiro
Na grande maçã
Há esperança de um novo amanhã

Bate forte coração eu sei
É difícil ser um rei
Longe da terra natal
Mas eu não perdi a fé, lutei
Pra curar a solidão
Eu rezei na catedral (bis)

Fui chamado afro-brasileiro
Pra ganhar algum dinheiro
Fui muambeiro, engraxate, fui garçom
Me encantei com os diamantes
O teatro é pura emoção
Foi tão bom

Nessa cidade vi amor, fraternidade
Mas a saudade fez meu peito balançar

Mãe baiana
Foi sua carta que me fez voltar (bis)

Lá vou eu de verde e branco, feliz
A serrinha é meu encanto, meu país
Parabéns Carmem Miranda que conseguiu
Mesmo distante não deixar de ser Brasil (bis)






9º. Portela 2000

Pensava que a Portela se livraria desta listagem, mas eis que me lembro dessa pérola. A agremiação deveria pedir desculpas por tal crime ao mundo do samba e à história. "Aclamado pelo povo, o Estado Novo / Getúlio Vargas anunciou " (?). "A despeito da censura / Não existe mal sem cura" (??). Fechando a letra, um fraquíssimo refrão que não faz jus à sua história.   


Trabalhadores do Brasil - A Época de Getúlio Vargas 


O raiar de um novo dia
Desafia meu pensar
Voltando à época de ouro
Vejo a luz de um tesouro
A Portela despontar (lálalaiá) 
Aclamado pelo povo, o Estado Novo
Getúlio Vargas anunciou
A despeito da censura
Não existe mal sem cura 
Viva o trabalhador ôôô
Nossa indústria cresceu (e lá vou eu...)
Jorrou petróleo a valer...
No carnaval de Orfeu
Cassinos e MPB
O Rei da Noite, o teatro, a fantasia
No rádio as rainhas, a baiana de além-mar
Tantas vedetes, cadilacs, brilhantina
Em outro palco o movimento popular
E no Palácio das Águias
Ecoou um grito a mais
Vai à luta meu Brasil
Pela soberana paz
Quem foi amado e odiado na memória
Saiu da vida para entrar na história 

Meu Brasil-menino
Foi pintado em aquarela
Fez do meu destino
O destino da Portela
(O raiar...)





10º. Imperatriz Leopoldinense 1999

Um enredo com título em latim, "Theatrum rerum naturalium Brasilae". Uma escola excessivamente técnica e sem emoção. Um samba pesado, quase arrastando. E por incrível que pareça, o primeiro de título de um tricampeonato contestadíssimo. O começo desse samba me irrita profundamente, é cansativo e repetitivo. Em certo momento ele fala 3 vezes a palavra Brasil: "Quero te ver, Brasil / Brasil / Ó meu Brasil". Muito chato!

"Theatrum rerum naturalium Brasilae"

Ela, a Imperatriz na passarela
É samba, é arte, é linda tela
Vem colorindo o carnaval
Sonhava Nassau
Com uma Holanda tropical (Nassau)
E nesse sonho ele então pediu
Quero te ver, Brasil (Quero te ver, Brasil)

Brasil, mostra a sua cara
Sua beleza em forma rara (bis)
Esse seu jeito de viver (Quero te ver, Brasil)

Artistas pintando flores, florestas
Retratam paisagens em festa... E animais
Homens felizes vivendo nas matas
Imagens do meu país
As obras são imortais
O tempo não apagou
E a mão do destino traz
Envolvidas em jóias musicais
Nobreza, beleza
Tem arte nesse teu cantar
Quem ouve logo diz
Meu sonho é ser feliz
Pra sempre e sempre mais

O samba é raiz
Se raiz é história (bis)
Bate forte bateria
No balanço e na alegria
Da Imperatriz





Um comentário:

  1. Certamente faltou o da Portela de 2005, falando de HIV. Foi horroroso.

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