quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Hipocrisia no Futebol.

Nas horas seguintes à final do Campeonato Carioca de 2014, assistimos às mais impressionantes demonstrações de hipocrisia envolvendo o futebol. Manifestada através da defesa da moralidade que é estranhamente concernente apenas à torcida arco íris (entende-se por arco íris a torcida dos dois grandes rivais do Flamengo no estado e mais o Botafogo), classificando como vergonhosa a comemoração do título carioca de 2014 pelo Flamengo por seus torcedores, haja vista que o mesmo só foi possível após um gol aos 46 minutos do 2º tempo estando o seu realizador em situação de impedimento. 

Interessante levantar a questão de que nunca vi, li ou ouvi que em algum lugar do mundo alguma torcida se recusou a comemorar um título por este ter sido ganho com um erro de arbitragem. E em momentos de euforia a memória é falha, mas convém reavivar aos mais desavisados que a trajetória dessa mesma torcida arco íris também conta com não raros exemplos semelhantes. 

O glorioso alvinegro por exemplo, detém o menor plantel de títulos dentre os 4 principais times do Rio e mesmo assim podemos elencar três nos quais polêmicas não evitaram a comemoração de sua mediana torcida. Em 95 um gol legal do Santos foi anulado e o impedimento de Túlio não foi marcado resultando no primeiro Campeonato Brasileiro (que depois virou segundo) do Botafogo. A maioria não lembrará, mas seus pais provavelmente recordarão a falta de Maurício em Leonardo no título do fim do jejum alvinegro em 89. E se seus pais não lembrarão mas seus avós podem falar sobre a armação feita para cima do pobre Metropol na semifinal da Taça Brasil em 68. 

A burguesia tricolor com toda sua fidalguia golfa moralidade mas sofre de amnésia que não os permite recordar dos inúmeros tapetões em sua recente história comemorados aos brindes de champanhe e os campeonatos cariocas de 2005 e 1985 contra Volta Redonda e Bangu, nos quais erros em lances capitais colaboraram para os títulos nesses anos. 

E aquele que é vice em número de vices e que assistiu duas quedas em cinco anos não fizeram-se de rogados para entusiasmadamente comemorar nos idos de 74 o título nacional ofertado pela CBD e Armando Marques arrancando da raposa mineira a vantagem do mando de campo e um gol legítimo ao final do segundo tempo do jogo decisivo. Com igual alegria rememoram feitos de uma da figuras mais maléficas à história do futebol que vão desde a escalação de Edmundo na final de 97, virando a Lei Desportiva do avesso, até a não punição do clube após queda (ao final benéfica) do alambrado na final de 2000. 

Dirigentes e torcedores devem sim exigir um campeonato carioca menor e melhor com regulamento e arbitragem dignos, mas desqualificar a comemoração rubro negra pela conquista, que se fosse contra o Flamengo e nas mesmas condições teriam proporções maiores, não passa de hipocrisia, mimimi e chororô.

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