sábado, 30 de outubro de 2010

Cinco Motivos para não votar em Serra!

Por Allan Mahet

A eleição se avizinha. Daqui a 24 horas iremos decidir entre dois projetos de pais, que apesar de se assemelharem em escala macro podem representar perspectivas diferentes em analises pontuais.

O governo Lula foi longe de ser o que esperávamos. Os banqueiros continuam ganhando rios de dinheiro, cobrando-nos por usar o nosso dinheiro para ganhar mais... dinheiro. As desigualdades permanecem. As políticas sociais continuam deficitárias. A violência ainda impera. A saúde continua a matar e a corrupção ainda é encarada com normalidade. Contudo nenhuma análise política é correta se não vislumbrarmos os avanços acontecidos nos últimos 8 anos. Houve sim um ganho real para as classes baixas que pode aumentar seu consumo, principalmente em bens duráveis e na alimentação. Ocorreu um aumento exponencial no mercado imobiliário (ainda especulativo e direcionado para famílias com renda de 5 salários ou mais). Com a redução de IPI tivemos meses de recorde de vendas de carros novos (o que contraditoriamente representa o desastre de nosso transporte público). Contamos com a criação de milhares de empregos formais a mais do que nos oito anos anteriores. Apesar da política privatista do ProUni, as universidades federais aumentaram e receberam mais alunos.

Ou seja, devemos reconhecer alguns progressos visíveis que ocorreram sem nunca esquecer que o governo do PT também se vendeu às práticas liberais em diversas frentes. Apesar de ter esta certeza, acredito que nefasto por nefasto o PSDB consegue ser pior.

A social democracia vislumbra a consolidação de um Estado mínimo apregoando a sua reduzida intervenção econômica (a mão invisível da Adam Smith), o controle de gestos públicos, ou seja, privatização, 'desonerando' o Estado da manutenção de empresas de serviços essenciais a população, sucateamento da saúde, empurrando a população para planos de saúde (ou para a morte), deslocamento das políticas sociais para as ONGs, etc. A linha orientativa do partido pressupõe um meritocracismo social exarcebado onde as pessoas estão onde devem estar, por mérito delas, porém as condições ofertadas nunca são as mesmas. Consolida-se assim um ciclo de desigualdade, discriminação e preconceito.

Enfim, como dito em um post anterior, creio que com o tucanato no poder iremos incorrer em um aprofundamento de todos os quesitos em que o PT decepcionou os seus simpatizantes e desconstruir os avanços proporcionados pelo mesmo. Não se trata de votar no menos pior e sim em não votar no 'mais pior'.

Em um exercício de síntese irei levantar agora cinco razões que, podem não inclinar ninguém a votar no PT, mas que obrigam a todos a não dar nenhum voto em Serra:

1. David Zylbersztajn - Presidente da ANP na época de FHC agora é responsável pelos assuntos petrolíferos da campanha de Serra. Defensor do sistema de concessão que entregou parte do nosso petróleo a mais de 50 empresas estrangeiros e que a pouco foi alterado pelo sistema de partilha que garante maior controle da União e participação da Petrobras na exploração da reserva do Pré-Sal, modelo que classifica como retrocesso.

2. Economia - O governo tucano se creditou em demasia do controle da inflação. Mas este controle se deu a duras custas ao país. Arrocho salarial (o mínimo estava em US$64,00), aliados ao crescimento interno insignificante. Ou seja, através do empobrecimento do povo e falta de investimento no país reduziu-se a circulação de grana o que fez seu valor se sustentar. Essa estratégia implica em: menos investimento nacional, menos empregos gerados, menor salário pago, menos compra no mercado interno. Com a esdrúxula ideia de parear o real com dólar 'podíamos' comprar os importados que tanto queríamos, mas faltava arroz, feijão e carne na mesa.

3. Movimentos Sociais - Apesar da clara cooptação dos movimentos sociais no governo do PT, formou-se um canal de negociação que pode ser retomado com alguma força de vontade. Com o tucanato é coisa é diferente. Cassetete na cabeça de professor. Bomba em cima de estudante. Tiros em Sem-Terra. A conversa e a negociação não existem. Direito à greve é coisa de vagabundo e ponto final. Povo na rua causa calafrios ao PSDB e o remédio é a repressão e a criminalização. Aliado aos meios de comunicação (PIG - Partido da Imprensa Golpista, segundo Paulo Henrique Amorim) FHC e Serra conseguiram marginalizar e criminalizar os movimentos sociais reivindicatórios.

4. Educação - Nenhuma universidade federal construída. Sucateamento daquelas que existiam. Arrocho salarial de professores universitários e dos colégios federais (Pedro II, etc). Nem o ProUni, que tenta salvar os barões do ensino dos prejuízos causados pela inadimplência de suas mensalidades absurdas, causou tanto malefício à educação como os 8 anos de PSDB. 

5. Miséria - Em oito anos FHC reduziu a miséria (pessoas que vivem com renda de US$1,00 à US$2,00 por dia) em pouco mais de 2 pontos percentuais, legal não?? NÃO para os 25% restantes.

Provavelmente irei diminuir o ritmo de meus posts, mas tentarei mantê-lo ativo pelo menos uma vez por semana ou a cada 15 dias. Os assuntos continuarão a serem variados: política, cinema, o que vier na cabeça. Para a próxima semana irei postar um texto sobre o BLU-RAY, mídia do entretenimento doméstico que está enterrando o DVD.

Até Lá!

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